Eu queria ser empreendedor, mas eu gosto de sexta-feira.

Eu queria ser empreendedor, mas eu gosto de sexta-feira.

Sabe aqueles textos que você escreve e depois pensa várias vezes em não publicar? Então, esse é um deles. Eu realmente queria ser empreendedor. Ser a

Um texto para você não ler…
Profissão: menos velocidade, mais direção
Marketing Digital: quem aplica, erra. Quem não aplica, não erra.

Sabe aqueles textos que você escreve e depois pensa várias vezes em não publicar? Então, esse é um deles.

Eu realmente queria ser empreendedor. Ser aqueles caras que dão bom dia pro sol, e que  a primeira atualização no Facebook é um compartilhamento motivacional, meio óbvio, claro, sobre superação, como a maioria deles. Do tipo: “Tudo que é difícil, nem sempre vai ser fácil.” Acreditem, eu li isso outro dia.

Esses caras que estão sempre trabalhando. Tendo ideias inovadoras, não interessa a hora, dia ou local. Bom, na verdade eles sempre preferem as sextas ou feriados. Aqueles dias que meros mortais gostam.

Tudo é oportunidade no caminho desses caras.

Eu realmente queria ser empreendedor, mas não posso: eu gosto de sexta-feira. Gosto de tirar um tempo para relaxar. Às vezes, dormir até um pouco mais tarde no frio. Tomar todas em alguma festa, acordar de ressaca e, no dia seguinte, simplesmente não fazer nada. Operar em completo modo de segurança e só realizar ações básicas. No máximo, zapiar algumas séries pela Netflix enquanto me despeço da ressaca.

A verdade é que muito do que eu disse no parágrafo acima também faz parte da realidade da maioria dos empreendedores que estão a solta na internet hoje em dia. Uma verdadeira geração de valores que adotaram o termo startup nas discussões sobre empreendedorismo, mas não fazem ideia que o tiozinho que vende pipoca na esquina é muito mais empreendedor do que eles.

Sabe esses caras, que enchem a boca para se gabar que não dormem, não descansam e idolatram o cara bonitão que gravou um vídeo na praia, com dois primeiros botões da camisa aberto (esse é o segredo), dizendo como é maravilhosa a vida de um empreendedor digital? É mais um dos muitos motivos de eu não ser empreendedor nessa geração.

Por#*! Eu realmente gosto de sexta-feira. Sei que essa geração de valor também gosta, mas, por via das dúvidas, é melhor não espalhar por aí. A comunidade empreendedora em que eles discutem modelos de negócios de startups inovadoras, pode passar a não vê-los mais como empreendedor. Vamos manter a pose de HardWorkaHollic.

Vamos compartilhar o que pessoas de sucesso fazem no café da manhã e que sexta-feira a noite é o momento ideal para rabiscar algum canvas com ideias super inovadoras.

Mesmo ainda não entendendo o verdadeiro significado de empreender, poder ser que essa startup inovadora, criada na sexta-feira a noite, com um modelo de negócios igual a outras 10, com um ou dois recursos diferentes, dê certo e você possa subir no palco do empreendedorismo emocional para se tornar mais um Botini do empreendedorismo.  

O pior é que contaram para esse cara que para ser empreendedor, basta não estar satisfeito com o emprego atual, e que a vida do empreendedor é uma vida que vale a pena. Mesmo com as quedas e reviravoltas do mundo dos negócios, o que interessa é empreender. Depois eles se preocupam com os negócios de verdade.

O que interessa, e essa é a máxima dita atualmente, é aproveitar a crise para montar o seu próprio negócio. Sempre que eu escuto ou leio algo do tipo, além de gostar ainda mais de sextas-feiras, eu procuro no calendário o feriado mais próximo.

Mesmo “caminhando com as minhas próprias pernas” já há alguns anos, eu prefiro não ser chamado de empreendedor. Sério. Pelo menos, não esse cara “empreendedor” que acha que vai começar um negócio do absoluto zero, e que sonha acordado, todos os dias, na frente do Facebook compartilhando frases de autoajuda e que, mesmo sendo da nova geração de valor, ainda não entendeu que empreender não tem nada a ver com esse espetáculo de falácias exageradas que tomou conta da internet.

Eu torço, realmente, para que essa nova geração de valor, que tanto sustenta o preconceito sobre a CLT, comece a gostar das sextas-feiras. E, quem sabe, até dos feriados prolongados. Torço para que eles se blindem um pouco mais, e parem de cair nas falácias dos engenheiros donos de máquinas de vendas, criados pela internet para te ajudar a abrir o seu negócio.

Que eles não pensem que país em crise é a oportunidade perfeita para investir ou empreender, e entendam que abrir – e sustentar – um negócio com responsabilidade é bem mais sério do que se imagina.

Pode até ser que eles, algum dia, subam no palco para compartilhar algo realmente inspirador e que gere valor a comunidade empreendedora. Não existe fórmula mágica pra isso, existe trabalho focado e muita disciplina.

Disciplina: guardem essa palavra pro resto da vida de vocês. Sem ela, não existe sucesso nem na vida pessoal, nem muito menos na profissional.

Disciplina até mesmo para você entender que não tem nada demais gostar de sexta-feira, e que quem vive para trabalhar, não vive, sobrevive.

Seja empreendedor, mas goste de sextas-feiras, a nossa vida tá passando muito rápido para você simplesmente fingir ser algo que não é, ou fingir fazer algo que não faz, apenas por status.

Faça um teste de auto avaliação, evite usar o termo empreendedor nas suas redes sociais de hoje em diante e veja se você vai ter a mesma empolgação para seguir em frente com seus projetos. Se você não conseguir, sinto muito, mas você só quer que os outros pensem que você é uma mente brilhante que não gosta de sexta-feira, mas, no fundo, espera por ela assim como eu.

Vou ficando por aqui.

Até o próximo post.

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