A balela da cultura inútil

A balela da cultura inútil

Era o ano 2000 quando um menino de quatro anos participou da gravação do Programa Silvio Santos. Época do pagode sofrência reverberando por toda a pro

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Era o ano 2000 quando um menino de quatro anos participou da gravação do Programa Silvio Santos. Época do pagode sofrência reverberando por toda a programação de rádios e redes de televisão. Seria só mais um típico domingo. E foi. Até que, aproximadamente 15 anos depois, a modinha retrô do pagode 90 fez ressurgir das cinzas uma gravação de tal episódio e transformou em meme a seguinte questão:

Ô planta, você gosta do Raça Negra?

Se você não sabe do que estou falando pare tudo que estiver fazendo agora, clique aqui e assista até o final.

Aparentemente não era só a planta que não gostava do Raça Negra. Muita gente acredita que essa barra que é gostar de Raça Negra vai passar logo, será esquecida e não passa de cultura inútil. Caro colega, tenho uma notícia para você e ela está representada em um gráfico.

Sim, é um interesse crescente desde 2004 (que é a data que o Google começou a monitorar isso). Não sei se você gosta do Raça Negra, mas é importante notar um movimento que, parece ser só inutilidade da internet, mas que na verdade mostra indícios de oportunidades de consumo e, portanto, estamos falando de dinheiro e economia (inclusive, seria bem interessante ler “A Cauda Longa, do Chris Anderson se você quiser se aprofundar melhor no assunto).

Domenico De Masi, sociólogo italiano, escreveu um livro incrível (na mesma época em que todo mundo cantarolava didididiê por aí) chamado “O Ócio Criativo”. Basicamente ele aposta que a sociedade pós-industrial seria marcada por uma união entre o trabalho e o lazer. Basta observar as motivações que geraram empresas como o Facebook, Airbnb e o fenômeno dos youtubers, por exemplo, para ver sintomas dessa aposta do Domenico em toda a sociedade. E quem percebe isso antes cria novas oportunidades de negócio. Como quem teve a brilhante ideia de faturar uns bons trocados vendendo “brusinhas” como essa:

A planta e o fã incondicional do Raça Negra saíram do mundo virtual (se é que ele existe de fato, mas isso é tema pra outro texto) e foram parar… no Carnaval, óbvio!

E que simbólico, não é mesmo? A indústria do carnaval gera MUITO dinheiro. Só para se ter uma noção a expectativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é de que as atividades turísticas ligadas ao carnaval podem movimentar, em 2017, aproximadamente R$ 5,8 bilhões. BILHÕES.

Ou seja, a cultura (dita) inútil dos anos 90, fenômeno da indústria do entretenimento da TV aberta da época gerou um conteúdo que sobreviveu décadas e, dentro de um contexto de revitalização de símbolos daquela época, tomou novos significados, significantes (lembram da aula de semiótica?), foi reintroduzida à sociedade gerando novos produtos e movimentando a economia.

Agora te pergunto: E você, gosta do Raça Negra?

[Bônus: O menino virou cantor e se você quer saber que fim levou, recomendo esse vídeo]


Autora Convidada
Carioca expatriada em São Carlos, interior de São Paulo, viciada em café, pós-graduanda em Marketing, Consumo e Mídia Online pela Trevisan Escola de Negócios e gerente de planejamento na agência seu agá & os haroldos. É biscoito!

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